segunda-feira, 6 de agosto de 2007

depois de ti


Depois de sete meses volto a encontrar-te já sem mágoa já sem ressentimentos já sem tristeza já talvez sem medo volto a ver-te e revejo-me no teu reflexo disfarço o nervosismo deixo-te ficar ansioso conheço-te bem brinco com os lábios passo a mão no decote deixo ficar os óculos de sol sei que não gostas tudo é propositado mas não pensado não dessa forma pelo menos sorrio e quero-te chamar nomes como estúpido palerma e burro mas só me ocorrem pensamentos lascivos com línguas corpos despidos os nossos e com muitos fluídos à mistura só me ocorre a vizinha de baixo aos berros a ligar para a polícia aflita por causa das orgias o elevador quase quase que pára e eu chamo-te e tu já vinhas a partir daí lembro-me de roupas a cair pelo chão desastradas e desorientadas e sons arfantes e gemidos gritos berros de raiva de prazer de sei lá qualquer coisa de paixão essencialmente estaria a lua cheia desejaria o meu corpo o teu sem que eu desconfiasse depois de tanto tempo sem ti sem o teu cheiro e o teu corpo e todas as tuas parvoices e vicios e falta de calma e loucura e depois de tanto tempo sem outro qualquer fico parada extasiada embaraçada nua fecho os olhos e espero acordar e desejar que tudo fosse um sonho e acordar para a realidade e que essa fosse igual a continuação depois de sete meses voltas por umas noites e vais-te foi uma passagem uma miragem uma ponte eu fui um corpo tu um desejo